Pouca gente lembra como foi o inicio desta tecnologia no Brasil, vamos lembrar.

Guia de Ruas

Quem é motorista a tempo considerável, lembra dos Guias de Ruas, grandes mapas em forma de livro, normalmente vendidos em bancas de jornal. Os mais baratos eram de São Paulo e os mais caros do Brasil. No último que comprei, lembro de ter pago cerca de R$30,00, isso em 2007 ou 2008.

Quem não tinha um, com certeza, se perdia. Dirigir em São Paulo sempre foi uma loucura, pior ainda sem um destes.

Ao comprar um carro tínhamos o cuidado de ver se, no porta luvas, cabia um guia destes. Se fosse o guia Brasil, o livro ocupava um espaço considerável.

 

 

O inicio da Geração GPS

Nesta mesma época, chegaram os aparelhos de GPS. Custando a bagatela de R$1900,00 (Em média), isso em 2007. Caro até para os dias de hoje. Vendidos por grandes empresas, era o sonho de consumo para quem trabalhava no trânsito, aos poucos, virou febre e milhares de unidades foram vendidas.

GPS mobimax a600
GPS Mobimax modelo a600

Como a tecnologia era relativamente nova, muitos apresentavam defeitos. Lembro quando trabalhei em uma grande empresa importadora as centenas destes equipamentos, literalmente, jogados ao lixo.

 

Software de GPS

Dentro destes produtos, há um software GPS, o que hoje não é novidade. Este software, como todos, são feitos por empresas especializadas e custam dinheiro, desenvolvimento, engenharia, isto é, não é barato. Da mesma forma que anteriormente, um guia de ruas tinha custos, o software GPS também tem.

Algumas empresas e representantes chegaram a surgir no mercado nacional, lembro de pelo menos duas que mantiveram escritórios em São Paulo, mas hoje todas fecharam.

Foi nesta época, que conhecemos a Navngo e seu inovador, IGO8

Um software bem a frente da concorrência, muito mais fácil de usar e com visual moderno. Lembro o custo da licença de cada software, algo em torno US$50,00 dólares, sem despesas de importação, taxas e impostos.

 

O inicio da Pirataria

Em um Guia de Ruas, cada ano uma nova edição era lançada, novas ruas, sentidos de direção eram alterados mas e no GPS? O funcionamento seguia o mesmo principio. Pelo menos uma vez ao ano novas atualizações eram lançadas, melhorias de desempenho e indicações novas eram implementadas. Foi nesta época que a pirataria começou.

Quando um novo Guia de Ruas era lançado tínhamos que compra-lo, da mesma forma ocorria no software GPS, para atualiza-lo havia a necessidade de desembolsar uma certa quantia. Dependendo do fabricante, girava em torno de R$30,00 (em 2007). Mas como sempre, todos achavam que isso deveria ser gratuito.

Até hoje, não entendo a cultura de que “o que não podemos pegar não pode ser cobrado”. Ocorreu a mesma coisa com o Windows, quem nunca teve um Windows XP Pirata? Pouca gente teve original.

Começaram os fóruns e as trocas de arquivos.

 

Culpados?

Em 2014, quando tive em mente um projeto. Resolvi entrar em contato com um dos maiores fabricantes de softwares de GPS da atualidade, a Navngo. Sediada na Hungria.

O contato foi rápido e simples, eu gostaria de comprar softwares de GPS para vender e distribuir, desta forma, dando alternativas a aqueles consumidores que gostariam de ter algo original, com garantia e suporte técnico.

Vendiam, ótimo, vamos negociar. Compra minima 1000 unidades. Uau.

Para um comerciante de pequeno porte, um investimento deste tamanho estaria fora de cogitação. Tentei diminuir para 100 unidades, sem êxito.

Em valores atualizados, hoje, eu teria que investir cerca de R$70.000,00 para a compra, sem dizer impostos de importação, um investimento superior a R$120.000,00.

 

Expliquei que o valor estaria fora das minhas condições e as negociações terminaram ali.

 

Como expliquei no titulo, será que eles não são culpados pela pirataria de seus produtos? Digo isso pois, se houvesse uma flexibilização no comércio de licenças, a aquisição de softwares originais não seria melhor difundido? Eu gostaria de ter um produto original em minha Central Multimídia e acredito que grande parte dos brasileiros compartilham desta ideia.

Não seria mais fácil combater a pirataria criando pontos de venda mais eficientes?

 

Waze e software gratuitos

O sonho de todos os usuários de Centrais Multimídia, usar o Waze, software gratuito mas que necessita de internet para seu pleno funcionamento. Mas só funciona adequadamente em equipamentos Android, grande parte das centrais são baseadas em Wince.

Antes do Waze ser vendido para a Google, havia uma versão destinada a equipamentos com Windows CE, mas após a negociação o projeto foi descontinuado.  Algumas pessoas tentam utiliza-lo, não funciona. Quando funciona os erros são constantes.

 

Alternativas

Pouca gente conhece o software Mapfactor (http://navigatorfree.mapfactor.com/en/)

É uma alternativa com mapas do tipo “Open Source”, isto é, gratuito.

Também tem o Seven Ways (https://navikey.org/) muito utilizado por empresas no Brasil

Lembre-se, são softwares livres e erros podem ocorrer.

 

Conclusão

Desde o lançamento, custando quase 2 mil reais, até hoje (custando R$250,00 em média), o GPS é um companheiro inseparável.

A pirataria, neste caso, é devido a ineficiência dos fabricantes de software em oferecer alternativas e incentivar a venda de licenças ou criar pontos de vendas no mundo. Mas como sempre, temos softwares livres que funcionam bem e nos dão alternativas eficientes que satisfazem a maioria dos usuários.

O Waze ainda é o sonho de muita gente, mas com o uso de motociclistas e até pedestres, o aplicativo esta cada vez mais com erros de trajetos.

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