Uma das frases que mais ouço ou vejo são empresas recém criadas para a comercialização de centrais multimídia dizer que, seu produto é inovador ou cheio de novas tecnologias, mas isso é verdade?

A última vez que vi alguma inovação foi em 2014 e nem foi algo trazido pelos fabricantes de centrais e sim uma característica do Android 4.4 (Kit Kat). Foi o espelhamento, alguns conhecem como Phonelink, Mirracast e outros nomes comerciais.

Desde essa época, não vi mais nada fora do comum.

 

O mesmo Hardware com cara nova 

Acredito que, em um mundo competitivo, todos sabem que muitas empresas focam em preço abaixo, mesmo que isso esteja relacionado a uma baixa performance, pois bem.

Tenho encontrado em centrais “novas” componentes obsoletos e que não acompanharam a evolução tecnológica. Querem um exemplo?

Bluetooth

No começo, era somente para ligações mas com a adoção do A2DP (Advanced Audio Distribution Profile) essa realidade mudou, hoje todos querem conectar seu smartphone e ouvir suas músicas preferidas. Mas a qualidade de áudio era “sofrível”, pior que Mp3 gravado a 64kbps.

O bluetooth é separado por gerações ou versões. A primeira versão transmitia dados a velocidades baixíssimas.

A segunda verão, considero a pior versão, 3.0. Carregada de Bugs, problemas de conexão e quedas.

A mais difundida é a 4.0 mas já estamos na 5.0.

Cada versão o trafego de informações é aumentada, isso garante boa qualidade de áudio.

Agora, quem dúvida que eu ainda encontro módulos bluetooth em centrais “novas” da geração 3 e até mesmo da 2? Sim, não é incomum achar componentes obsoletos que até para encontrar documentação técnica se torna uma tarefa impossível.

Nem vou comentar aqui sobre APTX e outros protocolos de comunicação por Bluetooth pois esse não é o foco do post.

 

Lucro e mais Lucro

A estratégia destas empresas é simples, vender algo “bonito” mas que dentro é algo ruim. Pouquíssimas pessoas tem conhecimento ou vêem necessidade em abrir a central multimídia, menos ainda fazer uma análise de circuito.

Grande parte do custo da produção de uma central multimídia esta no LCD e no Touch Capacitivo. O restante tem que ser o mais barato possivel.

Entra nesta conta conversores Digitais Analógicos (DAC), processadores de áudio, pré amplificadores e as saídas amplificadas.

 

Onde esta a inovação? 

Se os produtos vendidos ou apresentados como evolução tecnológica não possuem nada além do obsoleto, será que o diferencial esta no atendimento?

Pior, NENHUMA marca de central multimídia que conheço possui manual detalhado, pós venda e assistência técnica. Talvez eu tenha exagerado, conheço UMA, em um universo de centenas de marcas que aparecem e na mesma velocidade, somem.

 

O que considero inovação tecnológica?

No minimo é usar os mais recentes lançamentos de componentes nos produtos apresentados.

Lembrem-se, o produto deve ser um conjunto e não somente um “rostinho bonito”.

Sabem o que eu gostaria de ver, um bom receptor Bluetooth com, por exemplo, APTX. Conversores Digitais Analógicos com SNR acima de 99db. Saídas pré amplificadas com tensões e características que minimizem ruídos…UMA PERFEITA INTEGRAÇÃO ELETRÔNICA COM O CARRO… não tem fim.

Pelo preço que pagam, os produtos deveriam vir com tudo isso, mas paga-se muito por pouco produto, olhe seu Smartphone, dependendo da central ela custa mais que um Galaxy S9 ou um Iphone 8. Pensem nisso.

6 COMENTÁRIOS

  1. E aí, Reinaldo. Parabéns pelo site. Muito bom. Sempre que tenho tempo, eu passo aqui pra dar uma lida.
    Eu tenho várias dúvidas sobre a qualidade do áudio nos diversos tipos de transmissão, principalmente via Bluetooth.
    Todos sabem que em formatos digitais o CD é o que tem a melhor qualidade, mas as pessoas estão usando cada vez menos. Pen Drive com arquivos FLAC ou WAV mantém qualidade de CD.

    Minha dúvida é em relação às outras conexões. Cabo P2 x Bluetooth x A.O.A (Android Open Accessory).
    Qual das 3 teria a melhor transmissão? O por quê? Quais pontos negativos e positivos de cada uma?
    Sempre pesquisei sobre esse assunto e nunca encontrei realmente as respostas.
    Acredito que utilizar um Smartphone top de linha com DAC Hi Res e transmissão via cabo P2 seja o que o apresenta melhor qualidade. Mas smartphones intermediários não ficam tão bom, fora que tem a questão do cabo também. Já ouvi falar que cabos apresentam perda. É verdade?
    Android Open Accessory é um protocolo criado para fazer a transmissão do Smartphone Android para o player através do cabo USB. Li uma vez na página do google que a transmissão pode atingir a qualidade de CD (16 / 44.1khz). Minha dúvida começou justamente depois que li isso. Quem no caso faria a decodificação do áudio digital? O DAC do Smartphone ou o DAC do CD Player? Eu achava que quem quem convertia era o DAC do Smartphone, que mandava o áudio via USB para o player. Mas no Fórum do Hardware um usuário me falou que a conversão é feita no DAC do Player, que o smartphone manda o arquivo via cabo e o próprio player que faz a conversão.
    O Bluetooth que é uma grande questão. Fato que existem aparelhos com versões antigas e que o som fica pior do que o de rádio. No meu aparelho é a versão 3.0 e confesso que o som até que me surpreendeu. Tenho kit 2 vias e confesso que não esperava que tivesse tão boa qualidade. Mas como prezo pela qualidade, ainda prefiro usar o pen drive com arquivos FLAC. Mesmo assim tenho dúvidas sobre o Bluetooth. No caso, qual o “tamanho” da perda de qualidade do Bluetooth com relação às outras formas de transmissão? Tecnicamente falando, qual a taxa de transmissão? E da mesma dúvida que tenho sobre o A.O.A, quem faz a conversão do áudio? É o codec do Bluetooth? Ou o smartphone manda o arquivo para o Player e ele faz a conversão?
    São dúvidas que eu sempre tive e não vejo ninguém falando sobre isso.
    Valeu!

    • Boa tarde,
      A palavra que tem que pesquisar é “lossless”, quando considero sem perdas estou dizendo que a qualidade é igual a um CD, ou seja 16bits e 44khz de taxa de amostragem.
      Bluetooth, até a geração 4 possuíam limitações em relação a qualidade, algumas empresas diziam que suas tecnologias eram sem perdas, mas cheguei testar o APTX e percebi perdas. Hoje com a versão 5 a esperança é que o APTX HD traga melhor qualidade, ou pelo menos distorça menos a música, a transmissão de dados é bem superior a anterior.

      Tenho aqui arquivos FLAC extraídos de CDS e não consegui achar diferenças, nesse caso, tanto Wave quanto Flac são formatos “lossless”

      Nunca cheguei a pesquisar sobre essa tecnologia da Android, um dia com mais tempo vou analisar. Se for comparar as outras duas com absoluta certeza o P2 (de boa qualidade) entregará melhor qualidade de áudio.

      Sobre usar Smart e arquivos Hi Res, fiz 4 testes tempos atrás:
      1. Usando a saída do fone de ouvido, cabo P2 Belkin na entrada de um XDP4000x
      2. Adaptador DAC Burr Brown USB – Toslink na entrada do XDP4000x
      3. Wifi usando um Cromecast Audio ligado via Toslink no XDP4000x
      4. CD cdx-c90 ligado via Toslink no XDP4000x

      De todos, coloco a qualidade de áudio no seguinte nível, primeiro o 4.. seguido do 2, 1 e 3.

      Por não ter arquivos de áudio de alta fidelidade (garantidos), talvez diante disso não tenha sido um bom comparativo, na época usei Dire Straits e Pink Floyd como referência por ter os CDS.
      A qualidade do Chromecast foi algo que me deixou absolutamente triste, esperava mais. O CD direto sem comparação, áudio perfeito.. P2 era audível com um pequeno ruido de fundo e ligando via toslink o resultado foi “menos pior”

      O SmartPhone é o S8.. lembrando que, no Samsung, em teoria.. estava sendo transmitindo áudio em alta resolução extraído de SACD.. (DSD)

      Peguei o S8 e coloquei um fone de ouvido.. converti as musicas em FLAC e comparei com o DSD.. não ouvi diferença (Fone Edifier).
      No passado, eu tive um sistema residencial com boas caixas..bom reprodutor, bons cabos.. e um razoável amp, ali eu conseguia ouvir diferenças entre áudio do SACD e do CD, minima mas perceptível.

      Resumindo, eu acho desnecessário ter HI-RES no carro, necessita de bons equipamentos que não custam barato, em um ambiente automotivo é dinheiro jogado fora (Na minha opinião)

      Sobre o DAC, entenda que isso é um conversor digital para analógico, toda vez que possuir transferência digital de arquivos não faria sentido converter um sinal para analógico e depois converte-lo novamente em digital para transmiti-lo por Bluetooth (exemplo).
      Nesse caso, se usar um cabo P2, é o DAC do Smartphone que faz a conversão. Se usar Bluetooth, é o componente do player que fará a conversão, lembrando que a qualidade é limitada pela taxa de transferência.
      Se usar USB, mesma coisa do Bluetooth, vc tem um sinal transmitido digitalmente e o player que faz a conversão.

      OBS: Existem aparelhos automotivos que pegam o sinal analógico (P2 por exemplo) e transformam em digital via ADC para que algum processador faça “ajustes”, isso não é incomum.

      Tem gente que acha que USB é analógico =(

      Hoje eu possuo um player Kenwood DNN9150BT com Bluetooth 3.0.. não gosto.. prefiro usar o FLAC via pendrive (uso Hard Drive)..

      Como o gosto de áudio é um pouco subjetivo, recomendo você efetuar os testes e sobre comparar o A.O.A.. um dia pesquiso e testo.

      O assunto é muito extenso, recomendo entrar no HTfórum que terá muito conteúdo, fica até mais fácil de responder por lá.

      Abs